sexta-feira, 29 de junho de 2012



E quando Ele os perguntava sobre a terra, diziam qualquer coisa, a maioria ainda sentia a dor da morte e com grandes olhos arregalados tremiam algumas palavras forjadas ali na hora ou não se lembravam e respondiam com outra pergunta. Deus gostava das línguas, gostava de usá-las todas juntas, intercalava todas como se dedilhasse por entre elas e muitas vezes com trocas de fonema em fonema; Desprezava as letras, desprezava a escrita e não entendia a vida contemplativa de um leitor;  Chateava-se, vez ou outra, com os casais que nunca se encontraram, com prorrogações sem gol, do tempo perdido e da memória descultivada, do jantar esquecido, do encontro sempre adiado. Surpreendia-se com os suicídios diários. Tantos chegaram a pensar que era apenas frieza sentir a surpresa diante da morte e se depararam com a liberdade de continuar pecando em pensamento. “Deus só não e ciente do que iras dizer”, diriam se pudessem ter certeza disso.

domingo, 24 de junho de 2012

EMARANHADO

Sobretudo em junho, que nos encontramos cochilando em bancos de praças, recebendo gotas no rosto e acordando em meio ao frio mais cinza daqui; Como aquele homem que corre tanto para atravessar bosques e, figuradamente, se encontrar na solidão.
Com esse confuso borbulhar na barriga, emaranhado de mangas que cobrem os braços por completo e te prendem numa teia que não te deixa sair, diria que sofres de algo, apesar de não aparentar moléstia, o "sofrer" é tão teu que nem sei se existe mesmo, voce sabe do que eu estou falando?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nossa distancia, outra vez, ultrapassou uma virgula e caiu neste espaço que se expande e se engole; Uma boca que se come e se engrandece para se comer tantas outras vezes. Se finalizou no seu lar de infinidades e é aceita como tal.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Also Frightened


Venture my way into the dark
Where we can slip; one takes one by the hand
Let them crawl into the logs that dam
Brown changed the hue of her pen

Excited and screaming, their voices go wild
And rise with the birds mating up in the pines
Down to puddles that breathe, covered by leaves
With mud they'll make prints on their backs

But how?

Will it be just like they're dreaming?
Will it be just like I'm dreaming?
Will it be just like they're dreaming?
Will it be just like I'm dreaming?

But how?

If they're awake till the dawn, well we won't
Fret that they don't have our eye
The ghosts came crowding around and then I
Woke, you slept there on your side

From our window, two lanterns draw signs on the night
And light our two shadows, I watch with delight
Will I want them to be who they will be
Or to be more like their dad?

But how?

Will it be just like they're dreaming?
Will it be just like I'm dreaming?
Will it be just like they're dreaming?
Will it be just like I'm dreaming?

When influence is threatened
Maybe I should let them
Maybe we should let them
And I have a question:

Are You Are Also FRIGHTENED?

No one should call you a dreamer...
Not Now!

sábado, 16 de junho de 2012

Só se lembrava de um quarto nebuloso: cumpridas vigas sustentando uma massa de objetos velhos, não por conta do "ser" que o tempo dá, mas sim por estar neste pantanoso segundo andar onde só toca o que se quiser; comensais da casualidade pontuando com as mãos e pés, em saltos-baixos, o grande baile da preguiça nublada. Alí errava por noites

sábado, 9 de junho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

minha pergunta é precisarei morrer para sentir a bendita ressurreicao?
Como seria se eu tivesse nascido rindo?
E se o meu "ganha-pão, ao invez da navalha, recebe-se só o tempo como juiz?
E se eu tivesse nascido Pixinguinha?
Seria eu quem, ele ou eu?
Fabuloso seria a troca de individualidades.
Ao invez de mim, que só sou eu, posso ser "tu" ou "ele"?
(...)
Quem me dirás que amanha acordo Matheus ou Pixinguinha, a navalha ou o tempo?

terça-feira, 5 de junho de 2012

Aquelas manchas espectrais,
se movem em contrafluxo aos meus olhares,
nunca conseguindo dizer o que é, com o que se parece,
se se movem ou não...
São todas formas decompostas daquilo que já passou, do segundo anterior que incendiou-se.
Se em ti foco muito tempo, dissolves em particulas, gradativamente desaparece como se teu rosto fosse de cores fracas e embaraçadas, finas como cinzas. Os primeiros a se dissiparem são os contornos, barricada pro motim que é teu ser solto, e todos teus tons ficam como clara de ovo, escorregando para a silenciosa anulação de canto de mesa.